Julho 2008

Edição: 3

Os últimos tempos têm sido marcados por algumas perplexidades em que nos deixam acontecimentos para os quais em nada contribuímos, mas que nos provocam, isso mesmo, perplexidade!

A crise dos combustíveis, por exemplo, levou a que alguns produtores tivessem de deitar para o lixo toneladas de produtos que dariam para alimentar milhares de bocas cujas carências são, cada vez mais, mais e maiores. E isto porquê? Só e apenas porque a indiferença dos governantes levou a que os operadores de transportes resolvessem prejudicar quem menos culpas tem - o público geral.

Será que não haveria outra forma de luta que não conduzisse ao descalabro das situações de ruptura, com as pessoas a temerem outras proporções. E foi ver a corrida ao abastecimento de combustíveis levando a que - como foi largamente noticiado - as gasolineiras triplicassem os lucros nesses dias.

Então isto não dá para ficarmos preplexos?

Aqui, na nossa terra, a crise MoveAveiro...é outra razão de perplexidade!
Fazer greve é um meio fácil que apenas alivia os cofres da empresa e prejudica os utentes. Num município onde os transportes púbicos são a desgraça que se conhece, não cumprem horários, não fazem uma cobertura correcta do espaço geográfico e utilizam meios desproporcionais ao consumo, fazer greve neste sector é potenciar uma desgraça.

E enquanto a MoveAveiro se liberta do pagamento de alguns - muitos - dias de salários, os utentes vêem-se na contingência de sobrecarregar o orçamento em despesas com outros meios de transporte.

Não haveria outra forma de pressão sobre a entidade empregadora?
E isto lembra-nos um outro município onde em situação muito parecida a solução foi continuar a trabalhar sem cobrar bilhetes aos passageiros. E aí, sim, a empresa sentiu nos cofres o peso da reivindicação.

Mas as situações têm tratamento diferenciado consoante os interesses.

As perplexidades são tantas, neste país, que ao descrevê-las correríamos o risco de não ter espaço nas 52páginas desta edição...

Vivemos, de facto, num país de perplexidades.

Arménio Bajouca
Editor

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