Defende Maria Jesus Reis Bastos, proprietária do minimercado «As Rosas», em Esgueira

«São precisos incentivos para renovar casas comerciais»

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Como surgiu este projecto?
Começou porque eu reformei-me da Função Pública, após o que fiquei um ano em casa e fiquei cansada de estar sem fazer nada. Entretanto, a minha irmã, que trabalhava num supermercado, estava desempregada e perguntei-lhe se queria vir trabalhar comigo, o que ela assentiu. E atirei-me de cabeça.

Há quanto tempo?Há cinco anos que estamos juntas neste projecto.

E que projecto é este?
É um minimercado de produtos alimentares e de limpeza.

Foi difícil entrar num negócio desta natureza?
Foi difícil por ter dado o passo na época em que dei. Foi difícil, porque tinha pouca prática – ou nenhuma –, facto que foi compensado pela minha irmã, que sabia alguma coisa e já trabalhava na área. Depois, foi difícil na época em que foi, em que há demasiadas exigências e este estabelecimento não tinha absolutamente nada do que era exigido por lei, nem licença tinha.

Foi um trespasse?
Foi. Eu não tinha conhecimentos suficientes para ver e exigir tudo quanto era necessário e verifiquei, após a compra, que não tinha tudo em ordem e tive de tratar de tudo. E agora, com a nova legislação e com a ASAE a apertar é pior. Às vezes, a questão é que o negócio não está suficientemente bom para suportar as despesas que a lei exige e que a ASAE fiscaliza. Resolveu-se exigir muito de estabelecimentos antigos que não têm capacidade para tal.

Teve que fazer obras?
Tive que fazer algumas obras, porque este é um edifício que, não sendo muito novo, é relativamente novo. As obras não foram demasiadas, mas foram algumas e que têm os seus custos.

Esta zona foi receptiva à vossa chegada?
Foi. Tenho bons clientes. Claro que vão fazer as grandes compras às grandes superfícies, como é natural, mas tenho aqui gente muito boa, muito simpática, que nos aceitaram muito bem e temos, geralmente, um bom ambiente comercial.

É um minimercado de bairro…
Exacto.

Que balanço faz destes cinco anos?
Gosto, porque gosto de conviver e isto dá-me a oportunidade de falar com muitas pessoas, de vários estratos sociais, de vários feitios e como gosto, tem me dado algum prazer. Depois, há o reverso da medalha, com pessoas que são um pouco intratáveis, o que, felizmente, é a minoria.

A vossa grande dificuldade continua a ser lidar com as grandes superfícies?
É. Temos a noção de que as grandes compras são feitas nas grandes superfícies. Aqui vêm às falhas. Estamos associadas ao Marabuto (que nos dá algum apoio) e pertencemos ao Mercobairro, em que temos, quinzenalmente, um folheto com produtos muito mais baratos e, muitas vezes, mais baratos do que nos hipermercados, só que a maioria das pessoas continua a acreditar que no hiper é mais económico.

O que defende que devia fazer-se para impulsionar o comércio tradicional?
Para mim, passa pelos comerciantes terem mais apoios de algumas entidades, que poderiam influenciar as pessoas a criarem outro ambiente até no próprio estabelecimento, porque para mudar é preciso muito dinheiro.

Tinha que haver mais incentivos financeiros?
Sim. Incentivos financeiros para renovar e haver um apoio publicitário que nós não podemos ter. Particularmente, não posso pagar a uma empresa de publicidade para fazer publicidade do meu estabelecimento. É-me completamente impossível. Por pouco custo que tenha, para mim é sempre muito. Às vezes, fala-se no comércio de bairro, mas fica-se por aí, não se fala no bom que o comércio de bairro tem, que é quando as pessoas precisam de ajuda podem ir ao comércio de bairro e está sempre alguém que lhe dá apoio em qualquer coisa. É um comércio de proximidade.

Contudo, acha que valeu a pena?
Valeu e está a valer.

Tem boas expectativas quanto ao próximo ano?
Tenho. Vivo muito de esperanças e tenho esperança de que, no próximo ano, será melhor.

O Natal é uma boa época?
Já foi uma boa época, nos dois últimos anos não. Não tivemos grandes alterações.

E este ano?
Este ano não acredito muito que melhore, mas para o próximo ano tenho esperanças que sim. Por isso é que estou cá.

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B.I.
Nome:
Maria de Jesus Branca Reis Bastos
Idade: 63 anos
Estado civil: casada
Família: dois filhos
Sector de actividade: minimercado
Hobbies: Tenho muito poucos tempos-livres (é um dos defeitos deste negócio). Convivo com a família, leio e vejo um pouco de televisão
Defeito: Teimosa e estar convencida de que toda a gente é boa gente
Virtude: Persistente
Prato favorito: Sou extremamente gulosa e gosto muito de arroz de marisco
Música: gosto de todo o tipo de música, depende do meu estado de espírito
Sonho: Sou muito egoísta. O que eu gostaria é que houvesse uma grande mudança no mundo, acabasse o mal e ficasse o bem; como isso é uma utopia muito grande, centro-me nas pessoas que me rodeiam e desejo-lhes o melhor, que sejam felizes.

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