No passado mês de Fevereiro teve início mais uma edição do Curso de Empreendedorismo de Base Tecnológica (CEBT), iniciativa impar a nível nacional, promovida pelas três Universidades do Centro – Universidades de Aveiro, Beira Interior e Coimbra -, em parceria com o CEC/CCIC.
Já na sua 4ª Edição, o CEBT contribuiu até ao momento para a formação de cerca de trezentos potenciais empreendedores, mais de quarenta conceitos de empresa de base tecnológica e candidaturas aos Programas NEOTEC, gerido pela Agência de Inovação, e FINICIA, na tutela do IAPMEI.
O CEBT tem como principal objectivo contribuir para a criação de novas empresas, assentes em novos produtos e negócios de base tecnológica, com elevado potencial de crescimento, fornecendo aos formandos as competências e o conhecimento associados à criação de start-up e estimulando a inovação baseada na produção científica realizada nas várias unidades de I&D das Universidades envolvidas.
Implementado numa lógica de equipas multidisciplinares, com a participação de alunos finalistas, de pós-graduação, docentes, investigadores e empresários, contempla uma estreita articulação com mentores financeiros (business angels e capitais de risco) e com mentores empresariais, promovendo uma fundamental troca de experiências que permita alcançar o objectivo pretendido: transformar tecnologias em empresas tecnológicas.
Se assumirmos que as evoluções produzidas na economia e na sociedade nas últimas décadas elegeram enquanto factores-chave de produção a tecnologia e o conhecimento, onde os activos intangíveis, como as patentes e o know how medem o valor de uma empresa, acções como o CEBT assumem extrema importância, não só pela sua missão, como pela capacidade de favorecer um sistema regional de inovação onde os diferentes actores são envolvidos numa clara articulação entre a oferta e a procura.
Atentar nas experiências dos países mais desenvolvidos da União Europeia constitui sempre um exercício importante e que deveria ser permanente. Socorrendo-nos dos relatórios da Comissão Europeia é constatável que os Estados do Sul da Europa, designadamente as Regiões Objectivo 1, onde o rendimento per capita é inferior a 75% da média comunitária, utilizaram, nas suas políticas de inovação, os fundos estruturais mais na vertente da oferta do que na procura e das reais necessidades das empresas, bem como em programas que privilegiaram a construção de infra-estruturas em detrimento de medidas inovadoras facilitadoras da ligação entre as empresas e os centros de conhecimento.
O resultado destas opções é hoje patente. Portugal, a par de países como a Grécia, Eslovénia, Letónia, Chipre ou Malta estão aquém da média comunitária no que à capacidade de inovação respeita.
Garantir que o QREN – Quadro de Referência Estratégico Nacional inverta esta situação e desenhe os Programas numa lógica que sustente a competitividade regional em acções de cariz mais imaterial, embora mais complexas, é imprescindível para que regiões como a nossa, já com provas dadas, possam entrar na rota e no ranking dos territórios da inovação e do conhecimento.
Ainda não é claro que tenha sido essa a opção tomada.