por António Almeida Henriques (Presidente do CEC/CCIC)

Uma nova geração de Empreendedores

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Todos estamos conscientes de que Portugal tem de continuar o seu trabalho de convergência para com os denominados padrões médios da União Europeia, o que implica crescer, mas, fruto dos nossos atrasos estruturais, crescer mais rapidamente do que muitos dos nossos pares.
Este crescimento mais célere, num mundo global, pautado pelo conhecimento, que, à partida, não conhece barreiras ou fronteiras sectoriais e geográficas, significa ter uma capacidade impar de inovar, em modelos distintos dos que pautaram períodos anteriores.
Através da inovação o conhecimento é aplicado ao desenvolvimento de novos produtos e de novos serviços ou a novas formas de conceber e vender produtos e serviços já existentes.
Nesta dialéctica inovação/conhecimento, se podemos afirmar que as empresas estarão no centro da primeira, as Universidades e Centros de Investigação encontrar-se-ão no centro da criação do conhecimento, cabendo aos empreendedores transformar esse conhecimento em investigação aplicada.
O desafio da inovação e do empreendedorismo é hoje assumido muito claramente pela Comissão Europeia, que apela à criação de um ambiente favorável aos mesmos, seja por via das adequadas fontes de financiamento, da redução da excessiva burocracia instalada ainda em parte dos países da União, a que Portugal não é excepção, do redireccionamento das políticas públicas, do estímulo à ligação universidade/empresa, da criação de uma massa crítica de incubação de empresas, entre outros aspectos.
Consciente destes desafios, o CEC/CCIC tem procurado criar na Região condições favoráveis à consolidação de uma envolvente propícia ao estímulo destas dinâmicas.
A constituição da primeira capital de risco de base regional – Centro Venture – em parceria com uma prestigiada Instituição Financeira e que integra já os principais grupos económicos da região, a criação da Centro Business Angels, que articula as suas actividades com a Associação e Federação Nacionais, a implementação da Rede de Incubação e Empreendedorismo, envolvendo doze das mais destacadas Incubadoras do nosso território, a parceria estabelecida com as Universidades de Aveiro, Beira Interior e Coimbra para a promoção do Curso de Empreendedorismo de Base tecnológica, que vai já na sua quarta edição, são disso alguns exemplos.
Obviamente que a criação de um ambiente favorável assume uma dimensão e traduz uma realidade mais complexa do que a, ainda assim, esforçada tarefa de implementação destas redes.
De facto, não basta a disponibilização de todos estes recursos e articulação de actores. Toda a envolvente cultural, económica e política de um território são fundamentais para que floresçam as condições necessárias a um novo paradigma, onde um excelente sistema de ensino, o exemplo do Estado, o mérito, a capacidade de avaliar e ser avaliado, a título de alguns exemplos, constituirão factores determinantes ao surgimento de uma nova geração de empreendedores.