Como começou esta história de sucesso?
Trabalhava com a minha mãe, já fazia umas coisitas, mas achei que só o jeito e o trabalhar com ela seria pouco, e decidi tirar o curso de Design de Moda.
Tomou logo a decisão de ser especializar na roupa desportiva?
Comecei mais ligada à roupa de interior, pijamas, etc., mas já era complicado nessa altura por não se tratar de uma roupa de consumo, quase supérflua, e como já fazia biquínis e fatos de banho com a minha mãe, comecei a fazer umas roupas de ginástica. Já foi há bastantes anos e havia muito pouco do género. Diria que foi quase uma brincadeira começar a fazer estas roupas.
Em 1986/87 o meu irmão começou a incentivar-me a andar mais para a frente com o projecto, criei o nome Susana Gateira sozinha, e em 1997 associamo-nos, formando uma sociedade entre mim, o meu irmão e o Alexandre Silva (modelo e actor).
Houve algum desporto que a tivesse despertado para esta área da moda?
Sempre pratiquei desporto. Natação muitos anos, andei sempre de patins, bicicleta e quando começou o boom dos ginásios a aeróbica.
Sempre amadora?
Sim, embora chegasse a ser federada pelo Galitos na Natação.
Como tem sido a receptividade dos seus produtos?
Acho que tem sido boa. Não o tivesse sido não teríamos crescido como crescemos até hoje. Acho que as pessoas cada vez mais gostam da roupa e é já quase um mito udsar roupa Susana Gateira.
O facto de estar em Aveiro, fora dos grandes centros de Lisboa e Porto, condicionaram essa expansão?
Sinto as dificuldades quando comparada com outros estilistas que possam ter mas implementação no mercadoi ou possam ter mais apoios do Governo por estar muito perto de Lisboa. As dificuldades que eu tenho são as de uma empresa que começa do zero, sem apoios externos, com muito trabalho e para que as coisas cresçam é sempre necessário um esforço diário. Essa é a grande dificuldade. Não há apoios. Muitas vezes temos de trabalhar com matérias primas importadas, e às vezes é um pouco complicado.
Mas essas dificuldades estão ultrapassadas…
Estão. Embora vão aparecendo dificuldades todos os anos. Cada dia há uma dificuldade nova, mas são obstáculos que se vão ultrapassando, mesmo no que diz respeito à importação de matérias primas. No fundo é o dia a dia de uma empresa, faz parte…
As matérias primas que utiliza são também de fabrico nacional?
Também. Tenho algumas e gostaria de ter muitas mais, mas é complicado, porque não há, especialmente em matérias técnicas que aqui são difíceis de arranjar. Trabalho com alguns algodões nacionais e poliésteres, tudo o que vai para além dessas composições de materiais tenho de comprar lá fora, face à concorrência das grandes marcas.
A marca Susana Gateira impôs-se no mercado, e a prová-lo estão as lojas que já abriu. Quantas?
Lojas próprias, em Aveiro, Braga, Porto, Cascais, Lisboa (onde vamos abrir mais uma no ginásio Active Life), em Coimbra.
Essas são as lojas próprias, mas há franchisados?
Era a de Coimbra que agora é nossa, mas temos franchisados em Famalicão, Guimarães, Leiria, Lisboa (no Ginásio Clube Português), e em Faro.
E quanto a internacionalização?
Temos alguns pontos de venda fora do país. Em Espanha, França, Israel e Japão. Está a andar devagar, mas está a evoluir.
Acha que a questão da utilização quase diária do fato de treino é fruto de uma moda?
Não lhe chamaria fato de treino… foi um conjunto de duas peças que se convencionou chamar de fato de treino, mas, pelo menos na nossa marca, não faz sentido. A pessoa chega aqui e escolhe as peças ao seu gosto, sejam duas peças ou não. Pode escolher as duas peças independentemente de combinarem nas cores ou não. Aqui não existe o típico fato de treino. Há peças soltas que a pessoa conjuga da maneira que mais gostar.
Mas voltando ao fato de treino propriamente dito hoje é mais técnico, é uma roupa mais justa, mais adaptada aos desportos, com materiais que exigem mais cuidados mas que são melhores performances, e o dito fato de treino é mais usado para andar à-vontade, para sair, para passear, para nos fins-de-semana dar uma volta, uma caminhada, e não é aquele fato para ginásio. São, no fundo, fatos que se usam sobe os equipamentos e não para treinar, como se vê no futebol, no basquetebol e noutras modalidades.
Já pensou na utilização daqueles materiais que surgiram recentemente, particularmente na natação, e que permitem performances inimagináveis até há pouco?
Não, porque a minha área não é especificamente a natação. Temos alguns materiais para natação e inclusivamente o material que utilização para essa modalidade é próprio para piscinas, não é para altas performances.
A proliferação dos ginásios veio dar novas perspectivas ao seu negócio?
Claro que sim, e esperamos que haja cada vez mais gente a ir para o ginásio… porque é bom para a saúde e para o desenvolvimento do negócio.
Considera-se uma mulher da moda?
Sim. Embora seja moda ligada ao desporto, não deixa de ser moda.
Há muitos estilistas nesta área?
Estilistas de roupa fitness e street wear… não conheço nenhum que se dedique exclusivamente a este trabalho. Não sei se serei a única, mas não conheço outro na área.
Tem alguma ligação com ginásios da nossa região ou do país?
Somos patrocinadores oficiais do Holmes Place, onde todos os instrutores de ginásio vestem as nossas roupas. Mas temos outros ginásios a que damos apoio.
Como encara, neste negócio, as condicionantes económicas que afectam o nosso país? Tem prejudicado o negócio?
Tem. Porque este mercado do fitness acaba por ser quase um supérfluo, e se as pessoas estão com dificuldades restringem os seus gastos àquilo que lhe faça menos falta. Embora haja muita gente a comprar a nossa roupa, ou porque dá aulas, porque é um meio de trabalho para a pessoa que dá aulas diariamente, nota-se alguma retracção.
Perspectivas para o futuro?
Vamos tentar que o mercado externo seja mais forte, e neste momento estamos a implementar o sistema de vendas on-line.