Interreg III B - «Espaço Atlântico»

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Programa comunitário revaloriza salinas

O Interreg III é um dos quatro programas de iniciativa comunitária implementados pela Comissão Europeia, determinado a promover um desenvolvimento harmonioso, equilibrado e sustentável do território europeu. O «Espaço Atlântico», que abrange a revalorização das salinas aveirenses, constitui a vertente (B) transnacional deste projecto.

A revalorização das salinas tradicionais não é uma preocupação apenas aveirense. Outras zonas produtoras deste bem, em Portugal, como Olhão e Figueira da Foz, tal como outros países europeus banhados pelo Atlântico, têm estado a tomar medidas para evitar que a actividade salineira artesanal não desapareça, por completo.
Interreg III B – «Espaço Atlântico» é o nome de um programa comunitário, que está a ser levado a cabo pelas várias zonas produtoras de sal, feito pelos métodos tradicionais. Espanha, França, Irlanda, Reino Unido, além de Portugal, são os países parceiros nesta iniciativa que tem como objectivo a «revalorização do potencial económico, turístico e meio ambiental das Salinas Tradicionais do Arco Atlântico (STAA)».

Hoje em dia, as salinas históricas do Atlântico já não têm o dinamismo económico de outros tempos e, em muitos casos, estão, até a desaparecer. No entanto, o Interreg III B – «Espaço Atlântico» poderá contribuir para que as salinas possam vir a constituir um importante património cultural, ambiental, histórico e humano, favorecendo, dessa forma, o progresso económico da zona envolvente, ajudando, simultaneamente, no desenvolvimento de uma identidade atlântica.
Em execução desde 2005, este programa comunitário tem data de encerramento marcada para o final do presente ano, objectivando-se, em termos gerais, a implantação de estratégias conjuntas transfronteiriças, transnacionais e programas de desenvolvimento; o aprofundamento de parcerias entre diferentes níveis da administração com os agentes económico-sociais relevantes; a efectiva coordenação entre o Interreg III B e os instrumentos de política externa da União Europeia.

Intervenientes

Dos vários países envolvidos, há vários organismos/instituições com intervenção no projecto. A nível nacional, as entidades que integram a candidatura são a Necton – Companhia Portuguesa de Culturas Marinhas, S.A. – Olhão; o Centro de Ciências do Mar da Universidade do Algarve; a Câmara Municipal de Leiria; a Câmara Municipal de Castro Marim; a TradiSal, de Castro Marim; a Câmara Municipal de Aveiro; a Universidade de Aveiro e a Câmara Municipal da Figueira da Foz.
No caso aveirense, a autarquia, associada aos restantes parceiros, traçou vários objectivos: contribuir para a recuperação e revitalização do salgado aveirense, através de um movimento e de uma estrutura associativa activa e defensora da actividade salineira na Ria de Aveiro; aliar a projecção de Aveiro num contexto turístico nacional e internacional à preservação e salvaguarda do seu património cultural/natural, garantindo o ecossistema e a biodiversidade da ria; formar profissionais que possam conciliar a actividade tradicional às novas tendências do mercado, nomeadamente de um turismo natural e sustentável; apostar no valor de recursos culturais e patrimoniais das STAA; e reforçar a identidade colectiva.

Até Dezembro próximo, a Câmara Municipal de Aveiro deverá ter cumprido a 100 por cento todas as acções a que se propôs, encontrando-se, neste momento 75 por cento do projecto já completo.

Acções

A nível de infra-estruturas, a autarquia tem previsto a construção de um Centro Interpretativo, a adjudicação do projecto da obra Polis, bem como a criação de um percurso de ligação entre o Centro Interpretativo e a Marinha da Troncalhada.
O estudo sobre o salgado de Aveiro, já realizado, abrange o diagnóstico do papel/posição do salgado de Aveiro; a enumeração e avaliação das potencialidades económicas, paisagísticas e patrimoniais da prática da salicultura; a referenciação das infra-estruturas e recursos essenciais à exploração económica e turística do sal; indicação de estratégias de sustentabilidade; avaliação da integração/divulgação do sal de Aveiro na oferta nacional e internacional, reflexão sobre o impacto da integração do salgado de Aveiro na rota turística.

Com o intuito da realização de uma consultoria histórica, a Câmara Municipal de Aveiro prevê a contratação de uma investigadora especialista em História do Sal Português e, em particular, do salgado de Aveiro. Este trabalho inclui, também, o recenseamento de fontes sobre o sal de Aveiro (documentos escritos, iconográficos, cartográficos e etnográficos existentes em bibliotecas e em arquivos nacionais e internacionais), bem como a disponibilização no Fundo Documental de informação em base de dados.
No que diz respeito ao SIG (Sistemas de Informação Geográfica), o projecto prevê a inserção de dados históricos (cartografia e informação sobre localização e delimitação de marinhas com base nos resultados da consultoria); o levantamento geo-referenciado actual do salgado; e a formação de uma base de dados com informação sobre a produção e exploração das marinhas. Está previsto, também, o levantamento e enquadramento dos instrumentos de planeamento e gestão do território.

A valorização económica e social da produção de sal tradicional será levada a cabo através de um maior envolvimento da comunidade local; da criação da Associação dos Amigos do Ecomuseu Marinha da Troncalhada, que prevê a dinamização e gestão de visitas, em regime de voluntariado; da criação da Associação de Produtores e Marnotos da Ria de Aveiro; da criação e integração da FENESAL (Federação Nacional de Produtores de Sal Marinho Artesanal); da formação de marnotos e qualificação da profissão; e da certificação do produto.

Por fim, as medidas a tomar previstas pela autarquia completam-se com a inserção de Aveiro na Rota do Sal Atlântico. Nesse sentido, será divulgado e promovido Aveiro, tanto a nível nacional, como a nível internacional, através do sal, que constitui um dos seus potenciais turísticos. Além disso, pretende-se aprofundar a cooperação entre parceiros e o diálogo entre regiões, o que permitirá desenvolver estratégias comuns de promoção turística do sal, particularizando acções e produtos.